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A verdadeira face da morte em Confissões do Crematório de Caitlin Doughty



A morte sempre me rondou de uma forma stalker. Meu primeiro contato com ela foi quando minha bisavó morreu, eu era criança demais pra entender a dor das pessoas ao redor, então me limitei a ficar brincando perto do caixão. Depois disso foram muitas pessoas próximas partindo, e em alguns casos, pessoas desconhecidas morrendo na minha frente. Por exemplo, uma vez voltando da faculdade com um amigo, vimos um ônibus passando em cima da cabeça de uma jovem, e ainda me lembro o barulho que é uma cabeça estourando. Enfim, a morte nunca teve timidez pra se apresentar diante dos meus olhos, e quando a Darkside anunciou o lançamento de Confissões do Crematório, pensei que eu iria gostar bastante desse livro, baseada na minha experiência enorme de lutos e familiaridade com a morte. E eu realmente gostei: assim que a Caveirinha me enviou o livro, eu o li em dois dias.

Aqui temos uma obra de não ficção, onde Caitlin Doughty conta em primeira pessoa sua experiência na indústria funerária. Ela passou um ano como operadora de um forno crematório na Westwind Cremation & Burial em San Francisco antes de buscar o licenciamento de agente funerário para tornar-se que ela é hoje. Caitlin traz os bastidores do que acontece com um corpo depois que entregue para a funerária, como é preparado um corpo, as opções disponíveis depois da morte, e em nenhum momento encobre os detalhes desagradáveis, nos expondo a verdadeira realidade sobre a morte: ela não é algo tão bonito assim, mas é real e precisamos encará-la do jeito que ela é.


Caitlin fala sobre as atividades que exerceu no seu trabalho: transporte de pessoas falecidas, preparação de corpos, manipulação dos cadáveres e cinzas, e, principalmente, como tudo isso a ajudou a formar seu ponto de vista sobre a vida e a morte. Enquanto conta sobre sua rotina lidando com os mortos, a autora nos mostra diversos fatos históricos, mitológicos e filosóficos relacionados com a mortalidade e também nos conta sobre rituais praticados por várias culturas, deixando claro que cada povo tem um jeito diferente para cuidar dos seus cadáveres. Um choque de realidade que me fez abrir a mente para o assunto e entender que é preciso respeitar e aceitar a forma que cada cultura lida com o fim dos seus.


É impressionante como esse livro trata de um assunto difícil de uma forma tão envolvente, simples e bem humorada. Todas as pessoas envolvidas são cativantes e eu me vi totalmente apegada à Caitlin e seus colegas, pessoas que mesmo trabalhando com a morte precisam se manter bem. É uma obra que me fez refletir sobre o assunto de uma forma totalmente diferente, mudou minha visão sobre a vida e também me fez rir bastante. Mesmo se tratando sobre a mortalidade, essa é uma leitura que está longe de ser deprimente. Não tenho palavras suficientes para descrever o quanto que aprendi, cresci como pessoa e percebi quantos equívocos eu cometia ao pensar na industria funerária.

Caitlin fala sobre a necessidade de pensarmos sobre nossa própria mortalidade e a importância de encararmos que a morte é algo natural, que virá para todos. Afinal, se a morte é a nossa única certeza em vida, por que evitamos falar dela? Este é um livro que, na minha opinião, todos devem ler, já que é preciso mudar vários equívocos e incentivar mais conversas sobre o assunto, para que a morte não seja algo tão distante. Confissões do Crematório traz a desmistificação da morte para nós e, através dela, nos ensina lições para levarmos por toda a vida. 

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